Vacina para covid-19: desafios e viabilidade de uma logística especializada

Em um ano onde a pandemia pelo novo coronavírus virou todos os setores de cabeça para baixo e gerou mais de 186 mil mortos, apenas no Brasil, a chegada das vacinas por diferentes fabricantes pelo mundo é a luz que todos esperam para a recuperação da sociedade, em todos os sentidos. Um dos pontos centrais de desafios em relação a elas apresenta-se no campo logístico, tanto para o armazenamento quanto para a sua distribuição para que elas mantenham a sua qualidade, segurança e eficácia.

Antes de mais nada é preciso entender porque os imunizantes para a covid-19 precisam de temperaturas mais baixas. “Os medicamentos imunobiológicos são termolábeis, ou seja, possuem características que demandam refrigeração para que mantenham a sua integridade, potência e eficácia, pois são sensíveis às variações da temperatura. Além disso, a estabilidade de uma vacina pode ser afetada por outros fatores, como a luz e a cepa vacinal”, explica Letícia Lobão Caldas, farmacêutica responsável pela área de qualidade no Grupo UniHealth, atualmente o maior representante logístico de medicamentos e insumos hospitalares da América Latina.

Hoje, no mundo, mais de 250 vacinas estão sendo desenvolvidas e testadas em sete plataformas tecnológicas. No Brasil, já houve a aprovação para o uso emergencial e o lançamento do plano de vacinação, ainda sem a especificação de quais serão liberadas ou utilizadas no País.

A informação oficial até o momento é que há uma encomenda de 100,4 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, com produção no Brasil pela Fiocruz, até julho de 2021. Já a encomenda da mesma marca, com produção nacional, é prevista em mais 110 milhões de doses até dezembro de 2021. Outras vacinas também já estão sendo encomendadas e algumas já até estão no país, como é o caso da Coronavac. Já a vacina da Pfizer conta com 70 milhões de doses ainda em negociação e é uma das que mais vêm causando questionamentos logísticos pela necessidade de uma câmara de frio altamente diferenciada.

“Para quem atua com logística hospitalar, o assunto não é novidade, já que a operação com a cadeia do frio faz parte de uma rotina obrigatória e bastante controlada pelos órgãos de vigilância. Em nossa matriz em São Paulo, por exemplo, já contamos há algum tempo com ultrafreezer que comporta -70 graus para o atendimento de uma demanda em operação, o qual ainda podemos expandir o armazenamento em até 20 vezes”, conta Domingos Fonseca, presidente do Grupo UniHealth.

Para Sr. Domingos, que atua há mais de 40 anos no setor, sendo pioneiro no seguimento da saúde, para que a viabilização da vacina seja real no País é preciso ficar atento ao preço praticado com a especificidade da cadeia do frio, tendo como parâmetro os mercados externos e a sustentação de uma cadeia com competitividade.

“Hoje, a maioria dos hospitais privados não dispõe de estrutura para materiais de -70 graus. Os que possuem refrigeração entre -20 e -40 graus costumam apresentar espaço limitado, destinado a demandas já provisionadas para quimioterápicos e outros. Na área pública a refrigeração precisa ser terceirizada. Por isso, em todos os casos o primeiro passo é a busca por espaços, adaptações, investimentos em equipamentos e pessoal habilitado para as operações”, afirma Domingos.

O empresário alerta para o mix de vacinas que serão oferecidas por vários fabricantes e que demandarão diferentes infraestruturas e logísticas. A refrigeração de 2 a 8 já atende as vacinações do calendário existente, sendo um mercado mais tradicional de atuação.

Em paralelo à armazenagem, há de se ter um foco para o transporte adaptado, tendo o operador logístico que se preocupar em cobrir a adequação do veículo para este fim, assim como das embalagens em que os medicamentos devem ser transportados, como as do Grupo UniHealth.

Pesquisa realizada pela DHL e McKinsey & Company (Alemanha), provisionou que para a cobertura mundial de vacinação será necessário de até 200 mil embarques de paletes e até 15 milhões de entregas em caixas de refrigeração, em 15 mil voos.

“Como vemos, para além de termos a vacina desenvolvida para o combate da covid-19, é preciso, de fato, um arsenal logístico em diferentes níveis e processos para que todo o investimento realizado em sua aquisição não seja em vão. Para isso, é preciso entendimento e uma grande força tarefa em toda a cadeia para a perfeita gestão dessas operações. É uma condição necessária para evoluirmos para o fim desta pandemia”, conclui Domingos Fonseca.

Entendendo a cadeia de frio pelo Grupo UniHealth:

Os medicamentos termolábeis seguem orientação de temperatura de transporte e armazenamento pela farmacêutica de origem, em seu registro ou bula, o qual o erro neste quesito deve ser zero, ou seja, atender o indicado com a máxima precisão para que o produto não sofra comprometimento de integridade.

Para garantir esse processo, o Grupo UniHealth verifica a temperatura dos equipamentos da rede de frio três vezes ao dia, utilizando o termômetro de máxima, mínima e atual temperatura, em intervalos de tempo precisos.

As câmaras frias são mantidas com controles eletrônicos de temperatura do ambiente, que alertam por alarme sonoro e envio de mensagem de texto (SMS e WhatsApp) e e-mail aos responsáveis no caso de qualquer excursão de temperatura, tanto abaixo dos 2°C ou acima dos 8°C, fora dos intervalos. A excursão é um desvio das condições aprovadas para um produto por um determinado tempo em sua armazenagem. São mantidas também antecâmaras para recebimento e acondicionamento de produtos refrigerados.

No transporte, o procedimento depende de quanto tempo o produto permanecerá fora do ambiente da temperatura controlada. Para longos períodos, são utilizados veículos com baús refrigerados, capazes de manter a temperatura durante todo o trajeto. Já para períodos mais curtos, é possível utilizar os veículos comuns com os produtos embalados em caixas de isopor e baterias de gelo (mais conhecidas como gelox) para produtos de 2°C a 8°C ou gelo seco para produtos mais sensíveis, que têm seu armazenamento abaixo de -15°C.

O importante é que qualquer meio utilizado tenha marcadores gráficos de temperatura, que possam comprovar a temperatura dos produtos até a chegada no destino.

Infraestrutura disponível hoje pelo Grupo:

· 3 bandas de temperatura, sendo 100m2 de área para 2ºC a 8ºC;

· 6 freezers entre -20ºC e -40ºC de 550l;

· 800l de armazenagem para -70ºC.

Toda essa capacidade pode ser rapidamente expandida de forma modular e é medida por sensores de temperatura de forma eletrônica, podendo ser acompanhada em tempo real por um software exclusivo da empresa, incluindo o trajeto até o destino final.

 



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